quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Harry Potter: O veneno sutil do menino bruxo

                         Revista Geração JC Ano XII - N° 85 - R$ 6,90
Esse ano foi o fim de uma das sagas mais famosas dos últimos 10 anos, Harry Potter. E por isso, o Pr. César Moisés Carvalho foi chamado pela revista Geração JC para dar uma entrevista sobre os filmes. Confiram à seguir.

1) Quando a saga começou os personagens eram adolescentes (média de 12 anos) e hoje já são jovens e adultos (média de 21 anos). Que tipo de influência pode sofrer essa geração de cristãos (principalmente os jovens e adolescentes) que acompanhou a saga durante esses quase 10 anos?
Coincidentemente, preciso repetir aqui o que já venho dizendo há mais de uma década: a Escola Dominical, sozinha, nada pode fazer para conter a avalanche de cultura popular e a carga informal de informações que vem com o relacionamento interpessoal no colégio. A matemática é simples: São, no mínimo, 20 h/a contra 1 h/a da Escola Dominical! Se a Escola Dominical for ruim tanto pior será! O grande problema é o analfabetismo bíblico dos pais (às vezes até de lideranças!) e a total falta de conhecimento de assuntos variados. Uma vez que a geração Z é muito plugada, ficar à margem dos principais assuntos que estão sendo discutidos por ela é alienar-se e alargar o abismo da comunicação familiar. Após essa introdução, respondo a pergunta: Depende do que acabei de colocar. O tipo de influência (se boa ou ruim, se positiva ou negativa) vai depender diretamente da educação que essas crianças, pré-adolescentes e adolescentes tiveram e têm. Não estou falando de uma educação estritamente cristã-denominacional (restrita), mas do fato de a educação ser abrangente, dando uma visão de cultura, arte, política, religião e economia, só para exemplificar.
A forma como a saga foi construída é muito eficaz em termos de formação de mentalidade, visão de mundo. O público cresceu juntamente com os protagonistas e sentia-se parte da trama e do mundo fantástico de Hogwarts (a escola de bruxaria)! A minha pergunta é: O que os cristãos fizeram neste mesmo período? Foram sete livros e oito filmes em catorze anos. Em números, a saga rendeu 450 milhões de exemplares em todo o mundo, traduzida para 70 línguas. Np Brasil, país onde se lê muito pouco ainda, foram 3,6 milhões de exemplares. Não adianta ficar acusando que o sucesso foi proporcionado por Satanás, que há bruxaria etc. Por que as coisas relacionadas ao Evangelho precisam ser chatas, sem conteúdo e sem criatividade? No século passado, C. S. Lewis deu-nos um belo exemplo. Onde estão os artistas cristãos? Se bem que, quando eles surgem, são mal compreendidos entre nós que, muitas vezes, sem nenhum tirocínio cultural, acusamos de heresia uma ficção. Se a pessoa não sabe distinguir ficção de teologia ou doutrina, como saberá instruir a família ou a igreja acerca desses assuntos?

2) Existem cenas no filme que mostram claramente uma oposição a tudo que aprendemos como cristãos. Uma delas é apresentada no penúltimo filme "Relíquias da Morte", quando Harry Potter precisa encontrar as Horcruxes, pedaços da alma do vilão, para, enfim, derrotá-lo. O que você pode dizer sobre isso? Se a criança, o pré-adolescente, adolescente ou jovem for bem formado, nenhum problema haverá para discernir entre a ficção e a realidade. O conceito de alma é complexo e até adultos tem dificuldades em entendê-lo, pois há várias definições. A Bíblia fala de alma, mas não a conceitua, porém, sabemos tranquilamente que não existe nada sobre “pedaços de alma” e o que está se assistindo é apenas uma ficção. Vamos subestimar o poder da ficção? Obviamente que a resposta é negativa, não obstante, as próprias histórias bíblicas que as crianças ouvem na Escola Dominical, na vida escolar são colocadas em xeque pelo ensino laico e daí, qual deve ser a postura dos pais? Ensinar que mesmo não havendo comprovação científica para muitas coisas, cremos em Deus em seu Filho, Jesus, que ressuscitou e isso nos dá segurança para termos fé em outras porções das Escrituras. Quanto ao filme, é apenas ficção e, como já disse anteriormente, vai depender da educação que a família oferece aos filhos.
3) Suponhamos a seguinte cena. O filho quer muito ver o filme, mas o pai não quer deixar. Na sua opinião o pai deve ver o filme junto com o filho e assim ter um diálogo aberto para explicar as questões mais complexas abordadas no filme ou dizer simplesmente não? O pai jamais, neste caso específico, deve dizer não. O diálogo é obrigatório. Não é do meu feitio, mas preciso citar um exemplo de minha própria casa. O investimento em literatura é alto. Minha filha lê muito, pois vê o exemplo desde pequena. Sempre a presenteamos com Bíblias. Desde as infantis até as completas. A Bíblia é um livro que ela sempre apreciou, mas nunca a tolhi de ler outras obras. Por incrível que pareça, a saga Harry Potter nunca lhe interessou e muito menos a série Crepúsculo. Mas se acaso ela me pedisse para ler, eu lhe presentearia com os livros e veria os filmes com ela sem peso de consciência ou problema algum. Se o pai investe em relacionamento e faz o dever “familiar” de casa, não há o que temer.
4) É possível o jovem cristão ver o filme sem se deixar influenciar por ele, e ainda para criticá-lo a luz do evangelho? Não se pode, nem se deve anatematizar a arte. Ela é um reflexo da bondade divina no homem. Agora, é evidente que cada um fará arte — ou qualquer outra coisa — de acordo com a sua cosmovisão. Se a pessoa possui uma formação sólida é plenamente possível assistir ao filme e saber criticá-lo à luz do evangelho. Entretanto, volto a dizer, é preciso lembrar-se que se trata apenas de uma ficção assim como as policiais, românticas ou científicas que, às vezes, são até mais nocivas e não recebem nenhum cuidado da família apenas por não conter elementos ocultistas em sua trama.






E aí? O que acharam da entrevista? Deixem comentários. Essa entrevista é só uma pequena parte da revista, que está muito boa nessa edição, não deixe de comprar a sua!!


FONTE: omundoderebeca.blogspot.com

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